EFDeportes.com

Facebook Twitter Google +

Estudios Sociales

05.09.2015
Brazil
POR |

História das mulheres nos Jogos Olímpicos

A participação das mulheres nas Olimpíadas ao longo do tempo demonstra uma infeliz realidade da história de nossa sociedade: a exclusão da mulher da cidadania
Jogos de 1900, Charlotte Cooper da Inglaterra
Ascendência das mulheres nas Olimpíadas
Variação da quantidade de participantes nos Jogos Olímpicos (Homens x Mulheres)
Variação da quantidade de participantes nos Jogos Olímpicos (Homens x Mulheres)
Quantidade de modalidades por gênero e modalidades mistas nos Jogos Olímpicos
Variação da quantidade de participantes nos Jogos Olímpicos (Homens x Mulheres)

Introdução

As mulheres foram afastadas da participação ativa na sociedade, incluindo sua participação como atletas olímpicas. A elas eram entregues os papéis de mães e donas de casa e suas vidas pacatas restringiam-se a isso.

Porém, com a revolução industrial e as grandes guerras mundiais, ocorridas entre segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX, as mulheres acabaram ocupando os espaços que os homens deixaram nas indústrias, que estavam em função militar durante as guerras. Consequentemente, as mulheres começaram a participar da vida moderna, com novos empregos.

Considerando o fascinante universo do movimento social feminino, este estudo busca reunir informações históricas, com ênfase nos desdobramentos sociais ocorridos no Século XX, em prol da inserção da mulher nos esportes.

 

Proibição da presença feminina nos Jogos Olímpicos da Antiguidade

No ano de 776 a.C, foram iniciadas as Panatéias. Este evento tinha cunho religioso, onde os competidores se reuniam de quatro em quatro anos para honrar os deuses com jogos e lutas.

Nesse período, as mulheres eram privadas da vida pública e econômica, consequentemente, eram proibidas de assistir e participar dos Jogos Olímpicos, sob a pena de morte conforme regulamento dos jogos.

 

Participação das mulheres nos Jogos Olímpicos e Jogos Heranos

A primeira mulher que triunfou nos Jogos Olímpicos antigos foi a princesa espartana Kyniska, famosa por seus cavalos. Kyniska foi filha do rei Archidamus II, e meia-irmã do rei Agis II.

Outra mulher com destaque nas Olimpíadas da Antiguidade foi Belistiche, da Macedônia. Ela venceu a prova de quadriga de potros da 128º Olimpíada, em 268 a.C.; e de biga de potros da 129º Olimpíada, em 272 a.C.

Em honra à deusa protetora das esposas e mães, Hera, foi criado em Olímpia, as competições femininas, intitulado como Jogos Heranos.

 

O retorno dos Jogos Olímpicos na Era Moderna

As Olimpíadas Modernas foram reiniciadas pelo Barão de Coubertin, Pierre de Frédy, em 1896. Coubertin reproduziu as Olimpíadas da Antiguidade na Modernidade, desta forma, a participação das mulheres permaneceu vetada, restando-lhes apenas a assistir as provas.

Devido conscientização feminina de seu papel ativo na sociedade industrializada na segunda metade do século XIX e decorrer do século XX, elas iniciaram movimentos por direitos sociais, como o voto e inclusão como cidadãs da sociedade que estavam marginalizadas. Dentro deste contexto, a reivindicação por sua integração nas Olimpíadas foi declarada.

O avanço das mulheres em relação a sua nova posição no meio esportivo foi gradual, até o momento em que não era mais possível proibi-las, tornando-se intrusas de espaço consagrado dos homens.

 

Inserção e evolução das mulheres nas Olimpíadas Modernas

Durante a primeira Olimpíada em 1896, em Atenas, as mulheres participaram apenas como espectadoras, porém a grega Stamati Revithi, realizou o percurso da maratona fora do estádio no dia seguinte a prova masculina, em resposta a proibição feminina nas modalidades olímpicas.

Quatro anos depois, a sede das Olimpíadas de 1900 foi em Paris, marcada na época pelo liberalismo. Devido a lacunas e falta de organização do COI no controle do programa dos jogos foi permitido à participação extra-oficial de mulheres em algumas provas, o golfe e o tênis, por serem belos e não possuir contato físico.

Em 1904, Saint Louis, foi inserido o arco e flecha e como demonstração a ginástica. No ano de 1908, em Londres, as provas eram tênis, patinação no gelo, arco e flecha. Na modalidade barco a vela, as equipes eram mistas, as mulheres do time eram esposas dos atletas. Em Estocolmo, 1912, foi permitida a natação.

Em 1936, em Berlim, as mulheres foram incluídas oficialmente como atletas olímpicas.

 

Análise da quantidade de mulheres participantes dos Jogos Olímpicos ao longo do tempo

Quando analisamos a variação no número de mulheres que participaram dos Jogos Olímpicos comparados à variação do número de participantes totais da competição, percebe-se que há um padrão similar entre as variações até a década de 90. A partir desta década, a mulher apresenta um padrão de variação mais expressivo que do total de participante. Entretanto, essa grande variação é promissora do ponto de vista do aumento de participantes, conquistando aproximadamente 40% de participantes femininos nos Jogos Olímpicos nos últimos anos de evento.

 

Análise da quantidade de modalidades esportivas nos Jogos Olímpicos ao longo do tempo

Entre 1980 e 2000, o número de modalidades esportivas competidas por mulheres aumentou o mínimo de 20% por evento, aproximando-se muito do mesmo número de modalidades esportivas praticadas por homens.

 

Discussão

A expressividade da participação das mulheres nos Jogos Olímpicos Modernos ocorreu a partir da década de 80. Isso deve ter ocorrido em função da impulsão do movimento norte-americano do fitness. Com esse movimento, o atrativo para práticas físicas estavam centrados na estética. Além disso, foi intensificando que mulheres com músculos salientes eram bonitas e atraentes. Desta forma, caiu-se por terra o conceito que era prejudicial à saúde da mulher a prática esportiva intensa. Assim, tornou-se aceitável e bonito esteticamente, mulheres com músculos salientes, sem associá-las à masculinidade.

No século XXI, nota-se que as mulheres têm participação e inserção muito próxima da participação masculina nos Jogos Olímpicos. Isso é positivo para estimular a compreensão da sociedade que fatores físicos não são limitadores para a participação da mulher em modalidades esportivas.

Portanto, a sociedade contemporânea demonstra sinais muito positivos para a extinção da exclusão das mulheres em Jogos Olímpicos, nos esportes e exercícios físicos generalizados. Contribuindo para a constante construção de uma sociedade pareada entre homens e mulheres.

 

Considerações finais

A mulher no esporte sofreu um longo processo de discriminação pelos homens. No início elas não competiam oficialmente, apenas como participantes, assim não ganhavam medalhas, apenas certificados. Apenas em 1936 elas foram consideradas atletas oficiais dos Jogos Olímpicos. As primeiras modalidades femininas inseridas foram o tênis, tiro com arco, natação e o hipismo, este como modalidade mista.

Ao longo dos eventos Olímpicos, houve um aumento gradual da porcentagem de participação de atletas do gênero feminino nos jogos. A grande diferença porcentual entre atletas masculinos e femininos foi reduzida neste século. Isto pode ser resultado da evolução social que demonstra interferência no mundo esportivo.

Bianca Zacché Ribeiro
Marcello de Castro Rodrigues Felipe
Marcelo Rubens da Silva
Adriano Percival Calderaro Calvo
VER NOTA COMPLETA INICIO
LEER MÁS
El Webstudio