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26.03.2017
Brazil
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A história do Le Parkour e as principais características de seus praticantes

O Le Parkour pode ser considerado esporte, arte, filosofia, tendo como motivação a necessidade do homem em escapar de situações de risco
O Le Parkour é caracterizado por ações que utilizam o deslocamento do corpo de um ponto a outro, transpondo obstáculos urbanos ou naturais de forma fluida.

Introdução

Conhecido como Le Parkour do francês le = o, e parcour = percurso, trajeto, segundo a Parkour Word Association, é uma atividade física que teve suas origens na França. É definida como uma combinação de habilidades naturais do homem tais como correr, saltar e escalar, porém com um uma capacidade de se movimentar-se da forma mais rápida, fluente e eficaz possível, fazendo uso do ambiente urbano.

A idéia principal é traçar um percurso ou objetivo e por meios próprios, alcançá-lo superando os obstáculos que surgirem no caminho. Durante o deslocamento o praticante faz uso de diversos artifícios, desde a exploração da condição física ao discernimento dos métodos de transposição que oferecem menor risco e eficiência durante o trajeto. Outro ponto que merece destaque nesse esporte é a importância na escolha dos movimentos e rotas selecionadas na execução, pois estas devem além de derrotar os obstáculos no caminho, evitar o gasto energético e ganhar tempo.

 

Histórico

O idealizador do Parkour foi David Belle, nascido em 1973, em Fécamp, na Normandia e criado em Sables d’Olonne. Vindo de uma família de atletas, ainda criança praticava ginástica olímpica, escalada e artes marciais. Sua teoria era que a resistência e agilidade adquiridas nos treinos deveriam ser utilizadas na dia a dia. Aos 15 anos, mudou-se para Lisses, subúrbio de Paris onde conheceu outros jovens, também praticantes de esporte. Em seus treinos, passou a dedicar-se à progressão por meio do movimento, sendo o principal conceito, todo treinamento deve ser aplicável à vida real resolvendo problemas ou situações extremas. Esse treino era uma simulação do que poderia acontecer a qualquer momento, desde salvamento entre outros com foco na eficiência, velocidade, eficácia, longevidade e controle. O Parkour surgiu não apenas por influência do pai do jovem francês, e seus irmão bombeiros, mas sim pelas experiências esportivas que vivenciou com o grupo. Surgia então em 1997, a primeira associação Yamakasi (termo de origem africana, significando corpo forte, espírito forte), composta por David Belle, Sébastien Foucan, Yann Hnautra, Frederic Hnautra, Charles Perrière, Malik Diouf, Guylain N’Guba-Boyeke, Châu Belle-Dinh e Williams Belle, tendo como objetivo disseminar a arte e atribuir nomes aos principais movimentos que hoje constituem a base do Parkour. Assim David e seu grupo começaram a nomear todos os movimentos do esporte e seus obstáculos. O consenso foi que chamariam Parkour aos percursos que faziam na procura do caminho mais útil entre dois pontos.

 

O praticante

São conhecidos como tracer/traceur, o praticante do sexo masculino e traceuse do sexo feminino, que significa traçar ou ir rápido. É sabido que o Parkour envolve espírito de cooperação entre seus praticantes para superação de obstáculos de caráter físico, cognitivo e emocional além da luta contra o próprio medo. O tracer tem um propósito e sobre ele aplica disciplina mental, mudando assim a sua perspectiva de ver o mundo e seus obstáculos. Assim, os desafios, tornam-se menores diante dele. Algumas emoções são evidentes no Parkour, visto que o medo, coragem autoconfiança, autoestima, e insegurança, entre outras, fazem parte do cotidiano desses atletas. Djordjevic relata que a mensagem do Parkour trata-se da união e aceitação de ambos os sexos de todas as raças, além do fato de que qualquer um pode ser um tracer. A persistência e paciência são algumas das características desenvolvidas por eles. O controle das emoções, a tarefa a realizar, o ambiente e a etapa psicológica na qual o indivíduo se encontra são fatores importantes e presentes para a realização plena do movimento seguido do sucesso.

Ao se deparar com um obstáculo físico, é feita uma avaliação de restrições que se divide entre: do indivíduo, e sua capacidade de realizar o movimento, do nível de complexidade e do tipo ambiente, novo ou já habituado. Todos esses itens são avaliados visando garantir a segurança e a melhor execução do movimento. Pode-se dizer que a sociabilização é também uma característica do Parkour, pois há nos tracers os sentimentos de altruísmo, de ajuda mútua, integração social, além de instrutores sempre preocupados em ensinar as técnicas dos movimentos, métodos de treinos, a filosofia, além do método de vida do tracer.

 

Conclusão

Os esportes radicais sofrem uma barreira significativa para sua expansão: não possuem modalidades olímpicas que englobem todas suas práticas e dependem de Comitês e Associações para organizar competições, restringindo conseqüentemente sua visibilidade e possibilidade de entendimento pelo público. O Parkour põe em prática as habilidades do tracer em situações reais, mesmo que em uma representação que oferece menor risco. Simulando situações de perigo, desenvolvendo habilidades motoras e cognitivas. Estimula a postura crítica, com foco no altruísmo e prepara o praticante para enfrentar situações reais. É fato que os novos modos de práticas esportivas que surgem, levantam a necessidade de compreensão da cultura e dos sentidos dos seus praticantes, pois rompem barreiras ao nível de sua representação nos meios de comunicação, aumentando sua popularidade. O Parkour propicia atividades de lazer significativas de interação, funcionando como uma válvula necessária ao estresse gerado por nossa Civilização Moderna. Portanto, é necessária a existência de Políticas Públicas que regulamentem e disseminem a prática desta modalidade, excluindo a barreira social existente, permitindo que todas as esferas sociais se favoreçam com os inúmeros benefícios provenientes de sua consecução. Para garantir a continuidade da propagação dos fatores positivos destas espécies de esporte, é de fundamental importância que a profissionalização crescente de alguns tipos de esportes radicais não restrinja a ludicidade e o espírito de jovialidade e de aventura que norteiam estas práticas.

Daniel Ferreira de Barros
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