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Educación Física

07.08.2014
Brazil
POR |

A Educação Física como profissão

O ideário da construção da profissão Educação Física se mostra absolutamente frágil teoricamente e vem justificar sua inserção ao modelo de Estado neoliberal
A Educação Física se constitui por uma prática pedagógica

A Educação Física é uma área de estudos que vem se consolidando por conta da crescente produção de saberes nas universidades pelo país. O número de cursos de graduação já aponta a casa de 400 escolas formadoras de futuros professores e a pós-graduação strictu sensu vem se expandindo gradativamente, apesar de estar concentrada nas Regiões Sul e Sudeste.

 

Contudo, ainda paira uma significativa dúvida sobre o real significado do que seja a Educação Física, seus campos de atuação, os conteúdos a serem trabalhados, o objeto de estudo, a profissionalização e a cientifização.

 

Sem qualquer pretensão de apenas deixar no ar perguntas a serem refletidas posteriormente ou quem sabe nunca, procuraremos nos posicionar, na medida do possível, contando com o princípio da provisoriedade do conhecimento, entendendo que a produção humana expressa um determinado estágio da humanidade e que a compreensão de sua concretude se materializa através de aproximações sucessivas do sujeito que pensa com o objeto pensado, mediado pelo conhecimento (COLETIVO DE AUTORES, 1992).

 

Mantendo a defesa dos autores supracitados, compreendemos que a Educação Física seja "uma prática pedagógica que, no âmbito escolar, tematiza formas de atividades expressivas corporais como: jogo, esporte, dança, ginástica, formas estas que configuram uma área de conhecimento que podemos chamar de cultura corporal" (p.50).

 

Um dos fundamentos mais importantes a serem desenvolvidas na cultura corporal é a sua noção de historicidade, ou seja, o entendimento que as atividades corporais são frutos de uma construção em determinadas épocas históricas a partir das necessidades humanas. Como forma de transmitir esses conhecimentos historicamente acumulados, os professores irão fundamentar suas ações por meio de uma prática pedagógica.

 

Bracht (1999) concebe que a Educação Física é uma prática de intervenção caracterizada pela intenção pedagógica com que trata um conteúdo da retirado da cultura corporal de movimento. Para o autor, "nós (professores), da EF, interrogamos o movimentar-se humano sob a ótica do pedagógico" (p.33).

 

Tendo clareado a idéia de que a Educação Física se constitui por uma prática pedagógica, vamos defender a idéia de esta não é uma ciência. Não se trata de renegar os conhecimentos científicos, muito pelo contrário, mas de buscar através destes, respostas ou reflexões que possam fundamentar nossa prática.

 

Todavia, o objetivo central que procuraremos discutir neste artigo é a defesa de que a Educação Física não é uma profissão, como muito se tem alardeado, tanto no meio acadêmico, como no universo midiático, onde personal trainner e a denominação Profissional de Educação Física estão em voga, especialmente pelo crescente fortalecimento do malfadado Sistema CONFEF/CREFs.

 

Há muito tempo que se gestava a idéia da regulamentação profissional da Educação Física. De acordo com o Professor Inezil Penna Marinho, desde 1946 foi fomentada a idéia de se ter um órgão representativo da classe, porém, naquele momento não houve êxito, pois a CLT não permitia órgãos de classe adjetivos, sequer sindicatos desta natureza, visto a existência de um sindicato de professores. Por isso, o esforço nos anos seguintes seria o de fundamentar uma nova denominação para o então professor de Educação Física para que este pudesse fundar sua ordem ou conselho de classe (MARINHO, 2005).

 

Já em 1972, o III Encontro de Professores de Educação Física, realizado no Rio de Janeiro e organizado pela Associação dos Professores de Educação Física da Guanabara voltava à baila a proposta de criação de Conselhos Regionais e Federal de Educação Física. Vale destacar a denominação dispensada aos professores pelos organizadores do encontro. Um dos eixos temáticos era Conselhos Regionais e Federal dos Titulados em Educação Física e Desportos (SARTORI, s/d).

 

Como se evidencia no tema abordado por aquele Encontro, a palavra professor foi estrategicamente substituída pelo termo Titulados, indicando a germinação da idéia do Professor de Educação Física como um profissional liberal. Àquela altura, as academias de ginástica/musculação começavam a se expandir nas grandes metrópoles do país. Juntamente com a exploração de um novo filão mercadológico voltado para a classe média e alta, cresceram os olhos dos setores privatistas da Educação Física com o intuito de implantar uma política de "grilagem" no campo não-escolar, demarcando terras que ainda não pertenciam a ninguém. Contudo, naquele momento a idéia da regulamentação profissional não prosperou por conta do prestígio que a profissão de professor ainda exercia no imaginário social.

 

No contexto dos anos 80, com o processo da redemocratização brasileira em que se observou a ascensão dos partidos políticos, sindicatos, movimentos sociais e associações, a FBAPEF foi reativada sob a bandeira da regulamentação da profissão. Em 1984, o projeto de lei n° 4559/84 de autoria do Deputado Federal Darcy Pozza previa a criação dos Conselhos Federal e Regionais dos Profissionais de Educação Física, Desportos e Recreação. Nos anos de 1985 e 1986, cerca de 22 APEFs chegaram a estar funcionando. Porém, em 1990, o então Presidente da República, José Sarney, veta o projeto (PEREIRA FILHO, 2005).

 

Este foi um breve histórico de parte do processo de legalização da suposta profissão Educação Física. Neste contexto, a categoria mediação aparece como fator determinante para o entendimento do processo de construção do ideário da transformação da Educação Física em profissão.

 

Segundo Marx apud Nozaki (2004) o todo é condicionado por diversas mediações, o que faz com que um elemento, mediado por outro, não pode sobreviver sem ele, que o determina, mas que também é por ele determinado, transformando-se constantemente, em razão da relação criada.

 

Por isso, entendemos que a defesa de que a Educação Física é uma ciência (da Motricidade Humana, Ciência do Esporte) ou uma profissão está inserida numa lógica de lhe atribuir maior valor de mercado/status, para que assim haja maior poder de barganha, de acordo com suas ambições.

Bruno Gawryszewski
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