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Dança

25.08.2015
Brazil
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Dança do ventre: sexualidade de mulheres praticantes

A dança do ventre é uma forma de expansão saudável da sensualidade e sexualidade feminina, proporcionando uma melhor qualidade de vida
Avaliação do Quociente Sexual – Versão feminina (QS-F) Pré e Pós – Intervenção

Introdução

Lyz afirma que a dança do ventre não teve origem somente em um país ou em uma região. Recebeu as características dos costumes de cada país onde era praticada, dependendo dos deuses que as sacerdotisas consagravam ou cultuavam em seus rituais, e que esses cultos eram destinados à Deusa Mãe e à fertilidade.

Sobre a história da Dança do Ventre no Brasil, pode-se dizer que é recente. Tudo começou quando a bailarina Shahrazad Sahid Sharkey (de nome Madeleine Iskandarian), decidiu sair da Palestina para viver e fazer parte da história da Dança do Brasil. Shahrazad, que começou dançar aos sete anos, veio para o Brasil em 1957, até que em meados da década de 70 resolveu resgatar a sua dança, mostrando-a para diversos públicos, dançando em bares de São Paulo. Além de dançar, ela cantava, tornando-se assim a primeira cantora árabe do país. Foi a formadora da primeira geração de bailarinas de Dança do Ventre brasileiras, e a partir delas, houve a difusão por todo o Brasil.

A sexualidade pode ser definida como a união de fatores psicológicos, fisiológicos e sociais e a interação destes fatores resultam em quatro fenômenos: desejos, crenças, valores e motivação. O primeiro refere-se a mecanismos biológicos e neuroendócrinos que são responsáveis pela espontaneidade do desejo sexual; as crenças e os valores se dão por experiências que promovem o interesse sexual e a motivação depende principalmente de fatores emocionais, mas também, interpessoais.

Segundo Sigmund Freud, o indivíduo é constituído de energia vital, sendo esta a energia da sexualidade, que no desenvolvimento do ser humano é reprimida de alguma forma, em alguma fase da vida, podendo trazer dificuldades em alguns aspectos da vida adulta.

Assim, como existe o desejo, existe a inibição do desejo também, o que é muito comum tanto no homem quanto na mulher, ocorrendo perda de interesse. A pessoa, então, não se entrega à gratificação erótica. As causas da inibição podem ser físicas, psicológicas ou culturais.

Desta forma, o objetivo desde estudo foi verificar a sexualidade de mulheres não praticantes de exercício físico regular, antes e após um programa de dança do ventre, num período de 2 meses.

 

Materiais e métodos

A população foi de mulheres adultas com idade entre 18 e 40 anos, não praticantes de exercício regular, residentes no município de Erechim/RS, com uma amostra de 13 participantes com média de idade de 27,15 (± 4,43) anos.

Foi aplicado o questionário denominado Quociente Sexual – Versão Feminina (QS-F) para avaliação da sexualidade, sendo o mesmo reaplicado após o período interventivo. Após foram submetidas ao programa de Dança do Ventre, que constou de 2 aulas por semana, com duração de uma 1 hora e 30 minutos, por um período de 2 meses, totalizando 17 aulas.

 

Resultados e discussão

Quanto aos resultados relativos ao desempenho/satisfação sexual, obtidos mediante o escore do questionário QS-F, verificou-se que a maioria das mulheres foram classificadas como estando na categoria regular a bom pré-intervenção e após o grupo se manteve nos dois primeiros escores que são regular a bom e bom a excelente. Neste questionário teve valor significativo onde o valor de p= 0,0021 com significância p<0,05.

Na Avaliação do Quociente Sexual, anteriormente à intervenção, o maior número de praticantes apresentavam um desempenho sexual entre regular a bom sendo estas um número de 8, entre bom a excelente, apenas 3, e entre desconfortável a regular, 2. E após o programa, as praticantes ficaram entre regular a bom, e bom a excelente, com os valores de 6 e 7 respectivamente.

A falta de conhecimento sobre a própria sexualidade, de informação sobre fisiologia e resposta sexual, além da ansiedade, depressão, e conflitos conjugais são responsáveis pelo surgimento de problemas, podendo alterar sua resposta sexual. Neste contexto percebe-se claramente a diferença entre sexualidade e relação sexual. A sexualidade é expressa em pensamentos, relacionamentos, atitudes, crenças e sofre influência tanto de fatores externos como fatores biológicos, psicológicos, entre outros. A sexualidade inclui o ato sexual, o prazer, intimidade e reprodução, assuntos estes que são considerados complexos.

Viana et al. procuraram entender o antes e o depois do tratamento de fortalecimento do assoalho pélvico para incontinência urinária. Primeiramente, as mulheres se sentiam envergonhadas, davam desculpas para não manterem relações sexuais com seus parceiros. E após a intervenção, houveram melhoras significativas e como conta Baracho, o fortalecimento da musculatura feminina aumenta tanto a excitação quanto o apetite sexual.

Com o fortalecimento do assoalho pélvico, aumenta também o prazer durante a relação sexual. Mulheres que antes eram deprimidas, inseguras, com o tempo melhoram, e assim, ficam mais confiantes, ao perceber o aumento de sua força vaginal. Os parceiros, sem serem notificados, em geral, referem com satisfação terem percebido algo diferente no comportamento vaginal, e também em questões psicológicas, sociais, na relação conjugal e familiar.

Outra questão levantada pelo mesmo autor, é que exercícios para o assoalho pélvico ajudam mulheres anorgásmicas a chegar ao orgasmo, e as que têm orgasmo na relação sexual, podem ter orgasmos mais intensos e em maior número.

Desta forma, Abrão e Pedrão afirmam que a dança do ventre é uma forma de expansão saudável da sensualidade e sexualidade feminina, que é importante ser satisfatória e equilibrada, pois através do uso desse tipo de dança se busca uma melhor qualidade de vida. E que os momentos de pós-modernidade suscitam atenção especial aos aspectos da sensualidade e sexualidade feminina, pois a educação sexual inclui toda uma parte preventiva e de conscientização, e visa evitar malefícios do uso inadequado do sexo. Sendo que esses aspectos podem ser trabalhados, também, por meio da dança e, particularmente, da dança do ventre, pois propicia uma aproximação e uma valorização da mulher com o próprio corpo.

Kelly Patrícia Slaviero
Reni Volmir dos Santos
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