EFDeportes.com

Facebook Twitter Google +

Enfermería

22.08.2015
Brazil
POR |

Controle não farmacológico da dor em recém-nascidos

Há dificuldade em reconhecer os sinais de dor emitidos por pacientes neonatos, com isso, é necessário um conhecimento mais adequado a respeito da dor
O alívio da dor é atualmente visto como um direito humano básico

Introdução

Os avanços tecnológicos relacionados ao processo intensivista neonatal contribuíram para aumentar a sobrevida de recém-nascidos criticamente doentes, entretanto, os estímulos dolorosos e desconfortos causados também se elevaram. Por anos, o processo de dor não teve a devida atenção por acreditar que o neonato dispunha de uma mielinização incompleta e sistema nervoso central imaturo, o que resultou numa inadequação em seu tratamento.

Há dificuldade em reconhecer ou decodificar os sinais de dor emitidos por pacientes neonatos, com isso, é necessário um conhecimento mais adequado e sensibilidade a respeito da dor nesse grupo etário.

Dor é um sintoma que o indivíduo experimenta ao longo da vida, tendo as etiologias mais variadas possíveis. Na criança, as dores são fenômenos freqüentes desde o nascimento, quando surgem as cólicas do recém-nascido e, posteriormente, as dores que acompanham os processos inflamatórios e os traumáticos, até aqueles que constituem formas de reação diante de situações adversas na vida.

O alívio da dor é atualmente visto como um direito humano básico e, portanto, trata-se não apenas de uma questão clínica, mas também de uma situação ética que envolve todos os profissionais de saúde.

Recém-nascidos, principalmente os prematuros que necessitam de cuidados invasivos para sobreviver, precisam de maior atenção. Todavia, observam-se abordagens da dor baseadas muito mais na experiência cotidiana do que em definições literárias consistes. Diante do exposto, levantou-se a seguinte questão: Como se pode definir, identificar e tratar a dor no neonato?

Assim, este estudo objetivou conhecer como se desenvolve a identificação e os métodos de controle não farmacológico da dor no neonato, à luz de literatura especializada.

 

Resultados e discussão

Percepção da dor

Como a dor é uma ocorrência subjetiva, há certa dificuldade em sua avaliação, principalmente nos indivíduos que não conseguem verbalizar, em especial nos recém-nascidos. Esse fato leva à necessidade de o adulto reconhecer ou decodificar os sinais pré-verbais de dor emitidos pelo paciente desta faixa etária, com sensibilidade e atenção. O choro é uma forma de comunicação e manifestação do bebê, sendo muito utilizado pelas mães e por cuidadores. Apesar do choro ser considerado um parâmetro importante na avaliação da dor, a American Academy of Pediatrics e a Canadian Pediatric Society, em 2000, ao discutir a prevenção e o manejo da dor, assim como o estresse em neonatos, afirma que a ausência de respostas comportamentais, incluindo o choro e movimentos, não é necessariamente indicativa de falta de dor. O choro é pouco específico, mas parece ser um instrumento útil, quando associado às outras medidas de avaliação da dor.

A resposta comportamental caracteriza-se por reflexo de retirada, chutes, movimentos corpóreos, choro agudo e careta. Na presença de dor e estresse crônico, observa-se passividade, diminuição dos movimentos corporais, face inexpressiva, alterações da frequência cardíaca e respiratória e do consumo de oxigênio, boca aberta, tremor de queixo, protrusão de língua e agitação.

As respostas fisiológicas do neonato à dor incluem aumento das freqüências cardíaca e respiratória, elevação da pressão intracraniana, sudorese e diminuição da saturação da hemoglobina pelo oxigênio e do tônus vagal.

 

Métodos utilizados na avaliação da dor

A avaliação da dor em Recém-Nascido pré-termo (RNPT) fundamenta-se na avaliação das respostas destes à dor. Essas respostas podem ser analisadas a partir de alterações das medidas fisiológicas e comportamentais observadas antes, durante e depois de um estímulo potencialmente doloroso. Entretanto, avaliar tais alterações é, por vezes, difícil, pois os indicadores observáveis da dor podem ser mínimos ou ausentes, o que exige dos profissionais adequarem a forma, a linguagem e o conteúdo da prática de avaliação da dor no sentido de atender a realidade dos usuários e principalmente dos grupos especiais.

A avaliação da dor no período neonatal baseia-se em modificação de parâmetros fisiológicos ou comportamentais, observados antes ou depois de um estímulo doloroso. Para que os profissionais de saúde de neonatologia possam atuar terapeuticamente diante de situações possivelmente dolorosas, é necessário dispor de instrumentos que decodifiquem a linguagem da dor. Dentre as escalas conhecidas, podemos citar Sistema de Codificação Facial Neonatal (Neonatal Facial Coding System - NFCS), válida e confiável para quantificar expressões faciais associados à dor, podendo ser utilizada em RN pré-termo, atermo e até quatro meses de idade. Seus indicadores são: fronte saliente, sulco naso-labial aprofundado, boca aberta, boca estirada (horizontal ou vertical), língua tensa, protrusão da língua, tremor de queixo. A NFCS é a escala mais difundida para uso clínico pela sua facilidade de uso.

A Escala Objetiva de Dor HANNALLAH é prática e possibilita uma avaliação fidedigna através da linguagem corporal, mesmo sem verbalização. Uma pontuação maior ou igual a 06 significa dor importante.

 

Intervenções não farmacológicas no controle da dor no neonato

Sousa, Santos e Souza informam que o contato físico entre mãe e filho, contato pele a pele, durante procedimentos médicos e de enfermagem, tem se mostrado eficaz para diminuir a dor no RN. Hennig, Gomes e Gianini complementam dizendo que a importância e os benefícios advindos da presença e participação dos pais desde a internação do bebê são inquestionáveis, portanto, julga-se importante observar num mesmo contexto, as respostas ao estímulo dado para a mãe no cuidado com o bebê e nos procedimentos em que é permitido a mãe participar, amenizando assim os episódios dolorosos.

As intervenções para o alívio da dor em neonatos, um conjunto com procedimentos não farmacológicos, como, por exemplo, usar chupeta, mudar posição, aninhar, enrolar cueiro, manter posicionada flexionada, suporte postural e diminuir estimulação tátil, tem sido utilizados para o manejo da dor.

 

Considerações finais

A dor em neonatos pode ser identificada a partir de alterações fisiológicas (frequência cardíaca, respiratória e pressão arterial aumentada) e comportamentais (choro, irritabilidade e expressão facial), e mensurada por meio de escalas. Para o tratamento, medidas simples e não farmacológicas, como o toque, a sucção não nutritiva e a solução adocicada podem ser utilizadas no alívio da dor.

Por fim, conhecer como se desenvolve a identificação, assim como os métodos de mediação diante das situações que gerem dor, é imprescindível aos profissionais de saúde que prestam assistência aos recém-nascidos, pois só assim o cuidado humanizado e ético poderá ser realizado.

Beatriz Efigênia Nogueira
Luís Paulo Souza e Souza
Rosivaldo Brito de Sousa Junior
Carla Silvana de Oliveira e Silva
Henrique Andrade Barbosa
Ilka Santos Pinto
Tadeu Ferreira Nunes
VER NOTA COMPLETA INICIO
LEER MÁS
El Webstudio