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Educación Física

29.01.2017
Portugal
POR |

Aplicação de jogos tradicionais portugueses no 1º Ciclo do Ensino Básico

Este trabalho teve como objectivo principal verificar se os jogos tradicionais eram leccionados ou dinamizados no 1º Ciclo do Ensino Básico
Leccionação e/ou dinamização dos jogos tradicionais no 1º CEB
Frequência da leccionação ou dinamização dos jogos tradicionais no 1º CEB
Percentagem de professores que articulam os jogos tradicionais com as sessões de Educação e Expressão Físico-Motora (EEFM)
Inclusão dos jogos tradicionais nas aulas leccionadas pelos docentes do 1º CEB
Conhecimento dos professores sobre a inclusão dos jogos tradicionais no programa do 1º CEB
Articulação dos jogos tradicionais com outras áreas curriculares do programa do 1º CEB

Introdução

Os jogos tradicionais são actividades recreativo-culturais praticadas por crianças, jovens e adultos que se perpetuam ao longo de gerações pela oralidade, observação e imitação. Estes jogos mostram a expressão graciosa da alma popular e tradicional que se traduz na necessidade do lazer.

Por seu lado, os jogos tradicionais constituem um legado que preserva as tradições dos povos. Este património lúdico e cultural tem elevada função formativa em contexto educativo, podendo ser utilizado para desenvolver as habilidades motoras fundamentais no 1º Ciclo do Ensino Básico.

Além disso, a importância social, cultural e patrimonial dos jogos tradicionais está bem expressa na Lei de Bases da Actividade Física e Desportiva, designadamente no artigo 30º, onde se reconhecem: “Os jogos tradicionais, como parte integrante do património cultural específico das diversas regiões do País”.

Face ao exposto, o objectivo principal deste estudo é verificar se os professores do 1º Ciclo do Ensino Básico (1º CEB) leccionam ou dinamizam os jogos tradicionais (JT). Complementarmente, pretende-se averiguar se estes docentes têm conhecimento que os JT integram o programa do 1º CEB, bem como, se consideram importante a sua leccionação ou dinamização no contexto das sessões de Expressão e Educação Físico-Motora.

 

Metodologia

A amostra foi constituída por 5 professores do sexo feminino e 8 do sexo masculino (n=13), apresentando 50 ± 3.1 anos de idade e 19 ± 1.1 anos de tempo de serviço. Estes docentes leccionavam na escola do 1º CEB de Arganil no ano lectivo – 2010/2011.

Utilizou-se como metodologia de recolha de dados o questionário validado por Dias e Mendes.

O questionário foi aplicado presencialmente, seguindo-se a inserção de dados e posterior tratamento estatístico com recurso a estatística descritiva.

 

Resultados

Os dados mostram que 62% dos professores leccionam ou dinamizam os jogos tradicionais no 1º CEB.

Os dados indicam que 54% dos professores leccionam ou dinamizam os jogos tradicionais maioritariamente em ocasiões festivas.

Os dados indicam que 92% dos professores articula jogos tradicionais com as sessões de Educação e Expressão Físico-Motora (EEFM).

Os dados mostram que 46% dos docentes inclui os jogos tradicionais nas suas aulas e 46% dos mesmos não adopta o mesmo procedimento.

Os dados demonstram que 73% dos docentes tem conhecimento que os jogos tradicionais estão contemplados no programa de EEFM do 1º CEB.

Os dados indicam que 85% dos professores não articula os jogos tradicionais com outras áreas curriculares do programa do 1º CEB.

 

Discussão e conclusão

Constata-se que os docentes consideram importante a dinamização e leccionação destes jogos em contexto educativo, usando-os maioritariamente em ocasiões festivas e tendo o recreio da escola como local privilegiado de prática motora.

Em contraste com o estudo desenvolvido por Dias & Mendes, este trabalho demonstra que 73% dos docentes tem conhecimento que os jogos tradicionais estão contemplados no programa do 1º CEB. Tal pode dever-se ao facto dos professores dinamizarem aulas de EEFM, o que presumivelmente os conduz a um conhecimento mais profundo das matérias e conteúdos programáticos a leccionar.

Outro elemento que merece futura análise é a constatação da maioria dos professores não articular os jogos tradicionais com outras áreas curriculares do programa do 1º CEB. No caso, ainda que o nível de articulação pedagógica seja baixo, o facto de os professores assumirem que identificam estes jogos no programa de EEFM, potencia a sua utilização em contexto lectivo não formal fora do âmbito destas sessões.

Finalmente, constata-se que metade dos docentes que constitui a amostra contempla os jogos tradicionais nas suas aulas, articulando os mesmos com as sessões de Educação e Expressão Físico-Motora, o que também contrapõe a tendência geral do estudo de Dias e Mendes.

Perante o exposto, conclui-se que os jogos tradicionais desempenham um papel fundamental no desenvolvimento psicomotor da criança e representam um meio privilegiado de iniciação desportiva no 1º CEB.

Recomenda-se a investigação desta temática com recurso a estudos que englobem uma amostra mais numerosa e abrangente. Para tal, sugere-se a replicação deste trabalho ou outros com características similares em meio rural e urbano, comparando os resultados obtidos de forma a alcançar conclusões mais sustentadas.

Gonçalo Dias
Rui Mendes
Filipe Clemente
Fernando Martins
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