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Voleibol

09.02.2017
Brazil
POR |

A influência dos Estados Unidos na evolução do voleibol de alto nível

O voleibol norte-americano contribuiu na qualidade da estruturação do treino físico, inovou com a redução de atletas no passe e melhorou o sistema defensivo
Seleção norte-americana campeã olímpica em 1984
Tempo das sessões
Volume do treino de força reativa
Resultados dos Jogos dos Estados Unidos

Inovação da seleção masculina dos Estados Unidos para o voleibol

As vitórias do voleibol masculino dos Estados Unidos nas Olimpíadas de 1984 e 1988 proporcionaram interesse dos adversários sobre o voleibol desse país no aspecto tático e na maneira de estruturar e prescrever o treino, sendo aplicado até hoje pelas principais potências mundiais, inclusive no Brasil.

O modelo de periodização utilizado pelos norte-americanos foi o de Matveev adaptado com uso de treino físico, treino técnico e treino tático. Segundo o capitão da equipe estadunidense, a seleção treinava 5 dias na semana (2ª a 6ª feira), somente acontecia folga no sábado e no domingo.

Os estadunidenses treinavam com bola pela manhã, segundo Reilly et al, efetuar essa sessão de manhã permite uma melhor absorção do conteúdo na memória porque os voleibolistas estão mais descansados intelectualmente e fisicamente.

O treino de força no fim da tarde e à noite é melhor aproveitado pelo atleta por causa do aumento do hormônio do crescimento e da testosterona, gerando em ganhos de força mais significativos. Então, o treino de força do voleibol masculino dos Estados Unidos estava seguindo as diretrizes da cronobiologia que estabelece o melhor desempenho de determinadas respostas fisiológicas ao longo do dia, podendo ser aproveitada para maximizar o treinamento. Segundo alguns pesquisadores, o treino de velocidade (corrida e/ou trabalho de força) e/ou treino com bola, pode acarretar um incremento no condicionamento aeróbio. Talvez seja esse o motivo da não realização da sessão aeróbia pelos norte-americanos.

Os jogadores norte-americanos trabalharam 3 anos e meio até os Jogos Olímpicos de 1984, e efetuaram um total de 3500 horas de treino.

As medidas antropométricas (massa corporal total e percentual de gordura, %G) e as mediadas dos testes físicos (VO2máx) pouco se alteraram, mas o salto vertical ocorreu um incremento significativo (p≤0,05), os jogadores aumentaram a impulsão em 10 centímetros (cm).

As inovações do treino com bola pela seleção masculina dos Estados Unidos foi copiada pela maioria das equipes do voleibol de alto nível da época e são utilizadas atualmente. O treino dos fundamentos ou da equipe de voleibol dos norte-americanos era baseado na especialização. Os atletas treinavam somente a função que exerceriam na partida.

Uma das inovações táticas realizadas pela comissão técnica liderada por Doug Beal foi a diminuição de atletas na recepção, sendo efetuado apenas por jogadores especialistas. Segundo Beal, até 1983 ele jogava com 5 passadores, mas em 1984, foram colocados 2 atletas especialistas pela recepção, isso permitiu maior variação do ataque.

O sistema com 2 passadores permitiu 87% de acertos dos norte-americanos nos Jogos Olímpicos de 1984, enquanto que as outras seleções efetuaram 70% de acertos. Porém, com a evolução do saque, principalmente do saque em suspensão, atualmente o passe é realizado por 3 jogadores, geralmente por dois atletas da ponta e pelo líbero, que hoje é fundamental no voleibol atual.

O bloqueio dos norte-americanos era praticado através da interpretação das ações do levantador e do cortador para o jogador realizar esse fundamento com qualidade, sendo uma inovação para época. Também tinha sincronismo perfeito na junção dos jogadores e durante o salto.

Outra inovação aconteceu no posicionamento da defesa, na zona 6, onde o jogador do meio ou pivô ficava preparado para pegar as bolas “espirradas” no bloqueio. Como a maioria dos jogadores eram oriundos do voleibol de dupla na areia, a defesa era muito ágil e atenta quanto a direção do ataque, isso era previamente estudado pela estatística e com os recursos de filmagem antes, durante e após o jogo. Nas partidas o técnico era imediatamente informado no “O que fazer” e “Como fazer” para posicionar seus jogadores nos melhores locais para defenderem as bolas. Esse procedimento também era aplicado aos outros fundamentos.

Atualmente qualquer equipe ou seleção do voleibol de alto rendimento seguem muitos dessas inovações que foram apresentadas na Olimpíada de 1984 pelo voleibol masculino dos Estados Unidos.

 

Conclusão

Através dessa revisão o leitor conheceu a contribuição norte-americana para o voleibol de alto nível. Foi identificado que o treino físico era muito bem estruturado e era embasado cientificamente, também foi observado que a execução de determinados fundamentos – passe, defesa e bloqueio, permitiu uma superioridade técnica e tática durante 1984 a 1988 dos Estados Unidos em relação às demais seleções masculinas.

Nelson Kautzner Marques Junior
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